Devil May Cry: 2ª temporada melhora a narrativa, mas insiste em erros crassos

A 2ª temporada de Devil May Cry chegou à Netflix! Analisamos a evolução de Vergil e Lady, o arco de Arius e por que o tratamento dado a Dante continua a irritar os fãs.

CINEMA

Hyghllander

5/18/20263 min read

O universo das adaptações de videojogos para o streaming continua ao rubro. Após a estreia divisiva do primeiro ano de Devil May Cry na Netflix, a nova temporada prometia corrigir o rumo da história, aproximando as aventuras do lendário caçador de demónios da riquíssima mitologia criada pela Capcom. Contudo, embora o novo bloco de oito episódios traga avanços consideráveis no ritmo e no desenvolvimento de figuras carimbadas da franquia, o resultado final esbarra em decisões criativas questionáveis e numa execução técnica que deixa muito a desejar.

Evolução narrativa e o retorno dos filhos de Sparda

Desta vez, a trama ganha contornos mais familiares para os fãs de longa data. Afastando-se de ameaças genéricas anteriores, o enredo foca-se no retorno de Dante, que precisa de se aliar a Lady para travar o seu orgulhoso irmão, Vergil. Este chega à Terra sob as ordens diretas de Mundus para recuperar um artefacto místico conhecido como Arkana. O tabuleiro complica-se quando Arius — o infame vilão saído diretamente do polémico jogo Devil May Cry 2 — e a sua organização Ouroboros revelam planos paralelos para a relíquia.

Por um lado, a escolha de Arius e o foco em elementos canónicos garantiram um ritmo narrativo muito mais coeso e interessante. A grande surpresa positiva recai sobre Vergil. O antagonista foi brilhantemente adaptado: mantém a sua personalidade altiva, fria e calculista, com uma rivalidade eletrizante com o irmão. Além disso, a inclusão de flashbacks inéditos mostrando a infância dos filhos de Sparda e o aprofundamento do próprio Mundus conferem um peso emocional que faltava à produção. Outro milagre do argumento foi a evolução de Lady, que abandonou a postura infantiloide e os palavrões gratuitos da temporada passada para se tornar uma guerreira madura e tática.

Um Dante descaracterizado e ação sem criatividade

Por outro lado, nem todas as marcas discursivas do showrunner Adi Shankar funcionam, e o tratamento dado ao protagonista continua a ser o maior calcanhar de Aquiles da série. Em vez do anti-herói trágico que mascara os seus traumas com um humor cínico e carismático, a Netflix entrega um Dante que serve quase exclusivamente como um alívio cómico ambulante. Ridicularizado pelos inimigos e tratado como um tolo pelo próprio roteiro, o caçador de demónios carece de tempo de ecrã e de um desenvolvimento psicológico que faça jus ao material original.

A nível técnico, a animação do renomado Studio Mir (conhecido por Avatar: A Lenda de Korra) entrega cenários e modelos de personagens visualmente apelativos. No entanto, o estúdio falha onde a franquia mais precisa de brilhar: nas cenas de ação. As coreografias carecem de criatividade e dinamismo. É quase irónico que, num jogo famoso pela diversidade de combos estilizados, Dante mal utilize as suas icónicas pistolas gêmeas (Ebony & Ivory). Para piorar a experiência visual, certos modelos de inimigos em 3D parecem saídos da era do PlayStation 2, e o visual do Devil Trigger — modelado de forma genérica como um morcego gigante — desaponta profundamente.

Somem-se a isto os diálogos por vezes mal escritos e a insistência em inserir críticas políticas e religiosas superficiais para tentar forçar um tom "adulto", e temos uma obra que sabota o seu próprio potencial.

Veredicto: Mais um tiro no pé do "visionário"?

A segunda temporada de Devil May Cry prova que a produção sabe onde estão os pontos fortes da franquia — o carisma de Vergil e os segredos do passado de Sparda —, mas recusa-se a consertar a sua base. Ao reduzir o seu principal ícone a um palhaço de circo e ao entregar lutas monótonas num universo que vive do estilo e da adrenalina, a série mantém o rótulo de adaptação medíocre. Muitas dessas falhas poderiam ser mitigadas se a equipa de produção aceitasse os comentários e as críticas da comunidade dedicada aos jogos.

E você, o que achou desta nova temporada na Netflix? Acha que o Vergil salvou os episódios ou o visual do Dante estragou a sua experiência? Deixe a sua opinião na caixa de comentários abaixo e participe na discussão!